quinta-feira, 17 de outubro de 2019

A virgem cigana, de Santa Montefiore

Leitura lenta e um pouco desconcertante. Livro dividido em três partes, que relata a vida de Mischa desde a sua infância até ao inicio da meia idade, os quarenta anos, altura em que a sua mãe morre e as dúvidas começam.
Na primeira parte temos os relatos de uma criança de seis anos com as façanhas próprias da idade mas descobrimos um pouco do trauma que lhe aconteceu e ainda vivido nos seus pesadelos que o deixoamincapaz de falar. Descobrimos as pessoas com que se lidava no chateâu francês, a sua mãe, o amigo invisível Pistou, Jacques e a cozinheira Yvette, a amiga Claudine, e a chegada de Coyote. Encarado como uma praga por ser filho de pai alemão e maltratado pela aldeia impedido de brincar com os outros meninos. 
Segunda parte, Mischa tem por volta de quarenta anos e a sua mãe faleceu faz pouco tempo. Ainda em luto e sem conseguir encarar o que tem de fazer é confrontado com o quadro A virgem cigana, doação da mãe ao Metropolitan, que lhe traz mais dúvidas e um regresso ao passado. 
A terceira parte é a sua perseguição interior e Mischa deixa de ter a cabeça escondida na areia procurando pelas suas ligações às pessoas, vai ao Chile visitar Maria Helena e seu marido, e depois volta a França, procurando sempre por respostas tanto sobre o quadro mas principalmente sobre o que lhe aconteceu naquele dia em que ele foi colocado no meio da praça da vila juntamente com a sua mãe e outras pessoas.
Sinopse:
Mischa conhece bem a sensação de abandono. O seu pai alemão desapareceu no final da guerra, deixando-o e à mãe entregues ao ódio e ao desprezo dos outros habitantes da vila francesa. O seu padrasto também desapareceu, sem uma palavra. E estas são as cicatrizes que marcarão para sempre este homem. Só quando a mãe morre, deixando um célebre quadro do Ticiano, que Mischa nunca sonhou existir, no seu testamento, é que Mischa parte em busca do seu próprio passado. Regressa à vila francesa e desvenda o mistério da Virgem Cigana.
Boas leituras

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Álbum de verão de Emylia Hall

Leitura agradável. Pensava que seria uma leitura leve, tipica de verão, mas não deixa de ter algum contéudo. No princípio não nos apercebemos das várias camadas existentes que envolvem a mudança em Elizabeth para Erzsébet e no fim Beth, é sempre a mesma menina e o seu crescimento desde os nove anos.
Beth recebe um pacote do pai, que veio de avião da Hungria, agora com trinta e tal anos, vive sozinha e trabalha numa galeria, e faz uma viagem ao passado, durante o fim de semana  onde revê a sua infância e as pessoas da sua vida, começando pelos pais. 
Aqui conhecemos a primeira viagem à Hungria entre Elizabeth, Marika e seu pai, o local está em contraste com a chuvosa Inglaterra pois o sitio para onde vão é um local para um país com sol, lago azul e vegetação verde. Algo acontece que muda a vida de Erzsébet durante a viagem e Marika deseja ficar na Hungria a sua terra natal, imigrante desterrada fazia tempo por motivos politicos, deixando-a e ao seu pai para voltar á chuvosa Londres. O álbum contêm fotos, pequenos trechos de vida, recolhidos com amor, colados com saudade e a genica natural da pessoa, e aquando da morte de Marika devolvidos a sua filha do coração.
Gostei.
Sinopse:
Beth Lowe recebe uma encomenda.
Lá dentro há uma carta que a informa da morte da mãe, com quem cortou relações há muito tempo, e um álbum de recortes que Beth nunca tinha visto. Tem um título - Álbum de Verão - e está repleto de fotografias e lembranças reunidas pela mãe para recordar os sete gloriosos verões que Beth passou na Hungria rural quando era criança.
Durante esses anos Beth dividia-se entre os pais divorciados e dois países muito diferentes. A sua encantadora mas imperfeita mãe húngara e o seu pai inglês carinhoso mas reservado, a fascinante casa de uma artista húngara e uma casa de campo sem vida no interior de Devon, Inglaterra. Esse tempo terminou do modo mais brutal quando Beth completou dezasseis anos.
Desde então, Beth não voltara a pensar nessa fase da sua infância. Mas a chegada do Álbum de Verão traz o passado de volta - tão vivo, doloroso e marcante como nunca.

Boas leituras

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Frases indiscutivelmente verdadeiras

"As aulas de inglês eram pagas com uma garrafa de vinho e um denso bolo de mel, com frascos de compota de ameixa caseira ou sumo de maçã trazido no tipo de recipiente que era normalmente usado na gasolina. A Angelika deixava os presentes na mesa, fazia uma pequena vénia, e depois atirava-se aos livros com inabalável entusiasmo durante a hora seguinte. Parecia uma eternidade e eu andava numa desorientação terrível durante a hora anterior e a hora seguinte. No fim, a aparição da Angelika equivalia para mim  à destruição de uma manhã inteira."

in Hall, Emylia (2012).  Álbum de Verão. Civilização Editora, Porto.  Pág. 191