quarta-feira, 15 de março de 2017

Debaixo de Algum Céu

Livro que fala de tudo que exista na vida, e é vivida, refletida pelos inquilinos do prédio nas suas vidas, nos seus receios, nos seus relacionamentos, ou na falta deles, sonhos ou pesadelos. Prédio, que poderia ser o seu, situado à beira mar, com vários inquilinos, de ambos os sexos e com diferentes idades e experiências, que são nos apresentados. Temos o padre Daniel, o elemento redentor, a viúva D. Margarida, que vive para o seu gato, casal de meia idade com sua filha adolescente, tenta ter um namorado e o aliciar, e o seu filho Frederico, que tem medo, casal com a bébé Constança, em que ele trai a esposa, David, homem que trabalha em criar personagens e vidas para um programa informático, sem nunca sair do apartamento e conviver com o que o rodeia, o velho Moço que todos os dias vai ao mar (enquanto que nenhum dos inquilinos vê o mar) para ir buscar futuros materiais para a sua experiência musical, a mulher suicida, referida mas nunca fala, estes todos estão no prédio e fora dele o louco Menino Santo, filho da bruxa local, que auxiliava os pescadores.
Saltamos de inquilino em inquilino, durante oito dias no total, apanhando a época natalicia e o novo ano. Nesse tempo várias coisas são percetiveis: acidentes mortais e as reações dos inquilinos, traição, sexo, vida rotineira e sem emoção, suicidio, solidão mas também redenção, paixão.
Um bom exemplo da ficção portuguesa (e no fim sobre a sua realidade dia-a-dia). Faz-nos pensar sobre o que lemos e talvez encontrar similares noutros livros, ou noutras vidas, e dou por mim a ter uma conotação negativa para o livro e seu conteúdo, cinza como o é uma vida monótona. Recomendo.
Sinopse:
Num prédio encostado à praia, homens, mulheres e crianças - vizinhos que se cruzam mas se desconhecem - andam à procura do que lhes falta: um pouco de paz, de música, de calor, de um deus que lhes sirva. Todas as janelas estão viradas para dentro e até o vento parece soprar em quem lá vive. Há uma viúva sozinha com um gato, um homem que se esconde a inventar futuros, o bebé que testa os pais desavindos, o reformado que constrói loucuras na cave, uma família quase quase normal, um padre com uma doença de fé, o apartamento vazio cheio dos que o deixaram. O elevador sobe cansado, a menina chora e os canos estrebucham. É esse o som dos dias, porque não há maneira de o medo se fazer ouvir. A semana em que decorre esta história é bruscamente interrompida por uma tempestade que deixa o prédio sem luz e suspende as vidas das personagens - como uma bolha no tempo que permite pensar, rever o passado, perdoar, reagir, ser também mais vizinho. Entre o fim de um ano e o começo de outro, tudo pode realmente acontecer - e, pelo meio, nasce Cristo e salva-se um homem. Embora numa cidade de província, e à beira-mar, este prédio fica mesmo ao virar da esquina, talvez o habitemos e não o saibamos. 
Boas leituras

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